Terça-feira, Outubro 28, 2008
Sábado, Outubro 25, 2008
Segunda-feira, Outubro 20, 2008
Once in a while (portfolio I)
I don't know what love is
Quarta-feira, Outubro 15, 2008
Desarticulação
Não sou a areia onde se desenha um par de asas
A quatro mãos escrevemos este roteiro
Só assim sou eu no mundo.
23º S 33'Só assim me sinto bem.
Terça-feira, Outubro 07, 2008
Domingo, Outubro 05, 2008
EquaDOR

Os estilhaços em lágrimas
Algures sobre o oceano.
Azul.
Um dia saberás porque tive de partir.
Liberto-te e És-me. Ainda.
Sou-Te. E - TERNA - MENTE.
Quarta-feira, Setembro 17, 2008
Empurrando a Alma
Photo (c) Sylvia Heneleu volto.
Subirei, empurrando a alma
com o meu sangue
por labirintos e paradoxos
até inundar novamente o coração.
(Terei, quem sabe, o mesmo ardor
de antigamente).
Lia Luft
(Perdas & Ganhos, 2003)
Sábado, Agosto 23, 2008
Outono
e de vozes caladas e de folhas
molhadas de temor e surdo pranto
Camões
Quando a folha cair já não estarei por perto, de modo que podes dizer a toda gente que te deixei sem olhar para trás e sem razão aparente. Há em mim um cansaço de tudo o que não seja claro, como as razões porque não se escolhe o ser amado. Há em mim um sinal de fraqueza pelo fracasso constante de ser dois. Há em mim uma espécie de hábito (ou vício?) decalcado em cada traço dos nós que desfaço. Sei de antemão, e é por saber que não me atrevo a pedir perdão. De certa forma acho que tu também sempre soubeste, mas isso nada mudaria, pois não? O ritual estava em marcha entre a caça e o caçador, e hoje foi o dia da caça. Passos demasiado rápidos nesse tango descompassado, e tudo volta ao mesmo: tu e eu, eu e tu. Nunca nós. Chego a pensar que o que amas em mim é apenas uma ideia, tão bela como a paisagem lunar vista de longe, tão árida e destituída de luz própria quando nela pousas. Dimensões interplanetárias nos separam e eu aqui tão perto (ainda…). Olha para mim como eu sou: far-te-á bem compreender que as razões, mesmo quando explicadas, são o que menos importa.
Quarta-feira, Agosto 20, 2008
Camadas de Prata
La memoria y el olvido no son actos voluntarios

Sábado, Agosto 16, 2008
Divagações Estivais
Quinta-feira, Julho 10, 2008
From Pangkor to Eden

Podia escrever a nossa história em ordem cronológica através dos hotéis onde nos amamos, do Porto Santo a Angra dos Reis. Há algo impessoal e anónimo nos quartos de hotel bem arranjados e climatizados que me excita como se fosse a primeira vez. Talvez por isso trocamos sempre de hotel quando vou ter contigo ao rochedo. Talvez por nos sentirmos amantes fortuitos, clandestinos de um navio em cruzeiro. Noites de calor entre paredes decoradas com gravuras em série, malas mal abertas e nós de passagem , ao som de hilariantes excertos musicais em jeito de trilha sonora. Loud and clear, intercalava a voz da telefonia ambiente na palafita sobre o Índico enquanto a tempestade tropical jogava com as ondas ao ritmo dos nossos corpos encharcados. Ilhas de fantasia e de paixão nos cantos do mundo por onde andamos, sabor dos teus beijos, cheiros e cores, promessas de eternidade esquecidas no check out. Sempre gostei de acordar ao teu lado, de me deixar estar quieta à espera que estendas o braço à minha procura antes de abrir os olhos. Sempre gostei de te amar de manhã, sem hora marcada. Sempre gostei dos quartos de hotel, lapsos do tempo em síntese de sonhos, onde jamais voltarei...
Sábado, Julho 05, 2008
No Lux às três
Como sempre atrasei-me. Saí do carro apressada a pensar numa boa desculpa para te deixar à espera, às voltas com o teu vodka tónico a querer esganar-me antes mesmo de me abraçar. Enquanto subia a correr as escadas que vão dar ao bar ocorreu-me dizer-te a verdade só para te irritar. Sorri quando te vi ao longe, estavas mais magra mas seria capaz de te reconhecer no meio de uma multidão. O mesmo jeito de segurar o cigarro, a mesma boquilha de prata, o mesmo ar de impaciência para as minhas aldrabices, como te referias às desculpas foleiras que eu inventava sem sucesso. Detestavas a falta de pontualidade, que para ti era o meu pior defeito entre tantos outros que te levaram a aceitar a proposta do banco e partir para São Paulo. Segundo o teu diagnóstico eu não fui feita para viver com ninguém, já estavas-te a passar! … De costas, à conversa com o empregado (sempre gostaste de homens bonitos), tentavas disfarçavar a impaciência com aquele tique de levar as mãos ao cabelo, um pouco mais escuro, o ar de femme fatal, quem não o conheça que o compre, já incomodada por estar ali sozinha. Fui-me aproximando devagar, a admirar a tua lábia, nunca resististe a por “um homem à morte”, dizias a rir, entre o sádico e o debochado, como convém a quem lhes tem tamanha indiferença. Nunca cheguei a perceber bem o quid pro quo. Um beijo ao Manel, já não o via há meses, um antigo aluno cumprimenta-me com perguntas idiotas sobre cursos bolonheses e aquele nervoso miudinho ao sentir o teu perfume. Quando te voltaste, ao ouvir o teu nome, o tempo voltou dez anos atrás, em slow motion, e parou de repente, em pausa, naquele bar à esquerda, numa noite de verão como essa, quando nos vimos pela primeira vez. Quase não consegui controlar a vontade louca de te beijar em frente à toda a gente. Faltavam-me as palavras para dizer fosse o que fosse. Ficamos assim paradas por um instante, como que a tomar fôlego para as cenas seguintes de um filme que já vimos, vira o disco e toca o mesmo não fora um oceano. Percebi que substituíste o vodka tónico por uma reles caipiroska. Uma escorregadela nos gerúndios denunciou o interregno tropical, mas eras tu, tão tu e eu de novo. Tu e eu, eu e tu, nunca nós. Estivemos assim, a ver o rio, a beber caipiroskas e irish whiskeys em silêncio depois da conversa de circunstância, sem pressa de nos trocarmos uma à outra. Às três da manhã, pontualmente, apagaste o cigarro, arranjaste o cabelo com as mãos e olhaste-me a sorrir, como da primeira vez. Vamos?
Quarta-feira, Julho 02, 2008
Sweet Mystery of Life
Photo (c) Margarida GouveiaMinha vida que parece muito calma
Tem segredos que eu não posso revelar
Escondidos bem no fundo da minha alma
Não transparecem nem sequer em um olhar
Vive sempre conversando a sós comigo
Uma voz que eu escuto com fervor
Escolheu meu coração para seu abrigo
E dele fez um roseiral em flor
A ninguém revelarei o meu segredo
E nem direi quem é o meu Amor
Terça-feira, Julho 01, 2008
Nenhuma dor

Domingo, Junho 29, 2008
O Preço da Felicidade
Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde,
desde as três eu começarei a ser feliz.
E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sentirei.
Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada:
descobrirei o preço da felicidade!
Mas se chegares a uma hora qualquer,
eu nunca saberei a que horas é
que hei-de começar a arranjar o meu coração,
a vesti-lo, a pô-lo bonito... São precisos rituais.
- Que é um ritual? Perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa.
É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias;
uma hora, das outras horas. (...)
A. Saint-Exupéry, in "O Principezinho"
Photo (c) Robert Mapplethorpe
Saí de casa mais cedo para comprar as tuas flores preferidas. De caminho passei a buscar os camarões para o risotto com lima e açafrão, que dizes ser o melhor que algum dia provaste. A marquise de chocolate deixei-a pronta de véspera, só faltam as framboesas que encomendei ao Sr. Nicolau. O Alvarinho está no ponto. Pensei na minha avó, quando lhe perguntava pela receita dos melhores bolos do mundo. É o amor minha filha, um ingrediente que não se encontra nas mercearias. Estava nervosa… Disseste que chegavas às sete e meia mas os teus voos atrasam-se sempre e ainda tinha tanta coisa para fazer. Queria que tudo ficasse perfeito como tu gostas. Não, como eu gosto. Enquanto fazia a cama de lavado pensava no teu abraço à chegada, e em como seria bom ter-te comigo nesses primeiros dias de verão. Acabaram-se as velas. De escantilhão às Amoreiras e mais meia hora a escolher, sabes como sou hesitante e sem ti para ajudar fico pior. Acabei por trazer umas pequeninas com cheiro de fruta madura que espalhei pela casa, as flores frescas na jarra alta que me deste nos anos, a mesa posta com vista para o rio e uma leve brisa de fim de tarde a entrar pelo terraço. Tudo pronto, lembrei-me que gostas de me ver de branco. Contra relógio vesti-me três vezes até acertar, exagerei no perfume, senti-me a tremer quando reparei na hora, acendi um incenso, abaixei a música. Estavas quase a chegar…
Quinta-feira, Junho 26, 2008
Love Me Tender

Sábado, Junho 21, 2008
I don't know why

Domingo, Junho 08, 2008
Sossegar
O sossego é, em grande parte, uma expressão espiritual de segurança. Sossegar é saber com o que se conta, desde o azul do céu aos irmãos. O coração sossega em quem se conhece. Sossegar é conhecer uma totalidade, as coisas feias ou bonitas, mas previsíveis e familiares. É por isso que sossega olhar para um rosto amado, que se conhece, ouvir a voz dessa pessoa, mesmo quando está a dizer disparates. Não há falinhas mansas que tragam o sossego dos gritos duma pessoa com quem se pode contar. É um alívio. Só a ordem pode sossegar, por muito alterosa que seja. A tempestade sosssega o marinheiro que conhece bem o barco e o mar.
Miguel Esteves Cardoso, in Verbos Irregulares
Quinta-feira, Junho 05, 2008
Domingo, Junho 01, 2008
Aurevoir, madame
Só o alívio foi maior que a solidão.
Segunda-feira, Maio 26, 2008
Breu
Existe a noite, e existe o breu.
Noite é o velado coração de Deus
Esse que por pudor não mais procuro.

Que viajas, e um sol de gelo
Petrifica-me a cara e desobriga-me
De fidelidade e de conjura.

Assim como me veio, também não me avassala.
Domingo, Maio 25, 2008
Segredo
Sexta-feira, Maio 23, 2008
Para sempre
Para sempre.
Quinta-feira, Maio 22, 2008
Papier Mâché
Photo (c) Annie Leibovitz Numa tarde como essa, fria e chuvosa, disseste que não querias mais pintar, porque preferias ser feliz. Deitada no sofá da sala, com a cabeça sobre o meu joelho, olhaste-me em silêncio e eu soube que aquele momento era perfeito. O que é felicidade senão a tua mão na minha enquanto te aninhas no meu colo entre gestos de ternura? Mas serias feliz sem a tua arte? E seria possível separar-te dela por um momento, em que preferes o amor a todas as amarguras que colas em papel machê? Passados tantos anos a única certeza que tenho sobre ti é aquela tarde. Mesmo quando olho para ti e para a evidência da tua infelicidade pregada em paredes anónimas, os teus olhos são os mesmos, mas as tuas mãos revelam que os momentos, há muito que deixaram de ser perfeitos.
Domingo, Maio 18, 2008
Um desvio no olhar

Nuno Júdice
Sábado, Maio 17, 2008
Comptine D'un Autre Ete-L'Apre

Quinta-feira, Maio 15, 2008
Une nuit après nous
Quarta-feira, Maio 14, 2008
Nature Boy
There was a boyA very strange enchanted boy
They say he wandered very far, very far
Ovel land and sea
A litte shy and sad fo eye
But very wise was he
And then onde day
A magic day he passed my way
And while we spoke of many things
Fools and kings
This he said to me
"The greatest things you'll ever learn
Is just to love and be loved in return "
Love's Hair (c) Pedro Casqueiro
Terça-feira, Maio 13, 2008
Blind Date

Domingo, Maio 04, 2008
Mimar você
(Caetano Veloso)
Quinta-feira, Maio 01, 2008
This is for you...
I’m crazy....crazy for feelin’ so blue.
I know...you’d love me as long as you wanted
And then someday,
You’d leave me for somebody new.
Worry...why do I let myself worry?
Wonderin’....what in the world did I do?
Crazy...for thinking that my love could hold you.
I’m crazy for tryin’
Crazy for cryin’
And I’m crazy for lov’in you!
Break.....
Worry....why do I let myself worry?
Wonderin’.....what id the world did I do?
Crazy...for thinking that my love could hold you
I’m crazy for tryin’
Crazy for cryin’
And I’m crazy ...for lov’in.....you.....
Domingo, Outubro 28, 2007
Cansaço
O que há em mim é sobretudo cansaço
Domingo, Setembro 30, 2007
Spem longam reseces
Segunda-feira, Setembro 24, 2007
(des) esperança
Por isso guardei-os aqui, para ti.
Ah… A esperança, essa coisa maldita que impele os optimistas a acreditar que tudo é possível, que até o amor que já não é mude de ideias, mas se há algo que nada tem a ver com a esperança é o amor, sempre igual a si próprio: nunca volta, a partir do momento em que deixa de o ser. Se fôssemos capazes de compreender essa verdade universal e inexorável, tanto se poupava em lágrimas, apelos e esperanças…
O amor é isso, é desesperança.
Não há palavras, não há meios, não há a mínima possibilidade em tudo o que não seja o próprio amor em si mesmo. A diferença é essa, entre o amor e os milhares de sentimentos que lhe são parecidos (mas não confundíveis), até porque o amor não é propriamente um sentimento. O amor é um estado de alma que não se controla, não se escolhe, não se deseja, não se evita...
O amor não mente, não engana, não concede e não permite qualquer tipo de discernimento ou opção, até ao momento em que sabemos que deixamos de amar, e esse momento é uma fracção de segundo, como um olhar, um instantâneo, um arrepio, sem explicação, sem razão aparente, e assim, de repente, como um alívio de uma dor dilacerante, sentimos a alma mais leve. O amor dói, condena, aprisiona, e passamos a vida a correr-lhe atrás. É uma corrida contra o tempo, contra o tédio, contra a solidão, uma corrida sem cansaço e sem rumo, como se parar fosse a morte, ou a desistência da vida, e eu não desisto de viver, mas hoje desisto de esperar.
Amar-te não me faz bem, não me leva a lado nenhum. Amar-te é algo a que me agarro porque é a única ligação com o que resta de mim em ti. Então compreendi que o que resta não é mais amor, é só esperança, e a esperança mata…
Se olhar para ti como tu és, saberei que há muito deixei de te amar, e então sentir-me-ei bem porque estarei livre e terei um pouco de paz. Mas eu não quero paz, nem liberdade, quero-te a ti e quero-me a mim em ti e tu em mim, como a única possibilidade de ser feliz. Por isso não te olho como tu és, mas como eu sou.
Não vou escrever mais. Se o fizer, já não será para ti.
Há-de chegar o momento em que uma sensação de vazio me desperte para uma vida onde tu não existes. Nem o teu nome, nem a tua pele, nem o teu sorriso, nem o teu olhar significarão mais nada. Então o amor terá simplesmente acabado da mesma forma como começou, por mero acaso, num momento em que olhei para ti e soube que era amor.
Tem de ser assim, porque não pode ser de outra forma. Nada do que eu faça jamais poderá reacender em ti a chama, porque já vives nessa outra vida em que eu já não sou e já não estou. Mas nada do que faças pode matar em mim o amor.
O amor é meu, e não tens esse poder.
Sábado, Maio 26, 2007
Não te aflijas
(Flowers, Robert Mapplethorpe)Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.
(Cecília Meireles)
Domingo, Maio 13, 2007
Você não sabe...
Num apartamento perdido na cidade,alguém está tentando acreditar
que as coisas vão melhorar ultimamente.
A gente não consegue ficar indiferente debaixo desse céu
No meu apartamento você não sabe o quanto voei,
o quanto me aproximei de lá da Terra
As luzes da cidade não chegam as estrelas sem antes me buscar.
Na medida do impossível tá dando pra se viver.
Na cidade de Lisboa, o amor é imprevisível como você e eu e o céu.
Num apartamento perdido na cidade
alguém está tentando acreditar
que as coisas vão melhorar ultimamente
A gente não consegue ficar indiferente debaixo desse céu.
No meu apartamentovocê não sabe o quanto voei
o quanto me aproximei de lá da Terra, não.
As luzes da cidade não chegam as estrelas sem antes me buscar.
Na medida do impossível tá dando pra se viver
Na cidade de Lisboa, o amor é imprevisívelcomo você e eu e o céu.
(Rita Lee)
Quinta-feira, Maio 03, 2007
Patético

Terça-feira, Maio 01, 2007
Uma nódoa do passado...
(Vinícius de Moraes in "Ausência")
Sexta-feira, Abril 27, 2007
Doce presença
Sei que mudamos desde o dia em que nos vimosli nos teus olhos que escondiam meu destino
luz tão intensa, a mais doce presença
no universo desse meu olhar
nós descobrimos nossos sonhos esquecidos
e aí ficamos cada vez mais parecidos
mais convencidos, quanto tempo perdido
no universo desse meu olhar
como te perder ou tentar te esquecer
ainda mais que agora sei que somos iguais
e se duvidares, tens as minhas digitais
como esse amor pode ter fim
já tens meu corpo, minha alma, meus desejos
se olhar pra ti, estou olhando para mim mesmo
fim da procura tenho fé na loucura
de acreditar que sempre estás em mim
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