Que a força do medo que eu tenho,
não me impeça de ver o que anseio
Porque metade de mim é o que eu grito,
mas a outra metade é silêncio...
(...)
Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma
e na paz que eu mereço
E que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso
mas a outra metade é um vulcão
(...)
Que não seja preciso
mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
e a outra metade eu não sei
(...)
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo,
mas a outra metade é cansaço
(...)
E que a minha loucura seja perdoada,
Porque metade de mim é amor,
e a outra metade...também...
(Oswaldo Montenegro, in “Metade”)